Não é de hoje que questionam os ateus sobre o sentido da vida. Independente da religião o ser humano sempre questionou a razão da sua vida e existência. Mas os religiosos parecem certos que sabem a resposta para uma das perguntas mais famosas da humanidade: qual é o sentido da vida?
Já me perguntaram isso pessoalmente e virtualmente, mas sempre com o complemento "se não acredita em deus?". É quase impossível, confesso, para eu responder essa pergunta sem outra pergunta. "E precisamos de um deus para ter sentido na vida?" Mas respondo essa pergunta com outra pergunta para não perder tempo discutindo. É difícil explicar num bate-papo ou num encontro de rua. Por isso resolvi escrever essa postagem a respeito.
Dividi o sentido da vida em quatro partes: Objetivo, desejo, instinto e genética. A soma dessas partes é o que nos faz querer viver. Vamos analisar.
Objetivo
Em tudo (ou quase tudo) que nós fazemos tem um objetivo pelo menos. Trabalhamos para ganhar o dinheiro suado que usamos para comprar o pão de cada dia, nos divertimos para nos sentirmos bem e estudamos para adquirir conhecimento. Com a vida não é diferente. Há várias metas para atingirmos como uma das razões centrais da nossa vida: casar, ter filhos, se formar, ter uma profissão, um negócio próprio, etc. Isso já é um bela razão para viver. É difícil ter um sentido na vida sem ter um objetivo com o qual se ocupar.
Desejo
É diferente de objetivo. Se você não tiver algo prazeroso para fazer para ocupar as horas vagas sua vida fica mecânica, quase vegetativa. Pode ser praticar esportes, ler, fazer sexo, etc. Qualquer coisa que faça você se sentir bem. Objetivo e desejo têm de andar de mão dadas.
Instinto
Sua vida pode estar um lixo, mas se você ver um carro na sua direção você vai esquivar. Ou seja, em qualquer situação que pode pôr a sua vida em risco você fará o possível para salvá-la. Todos nós temos isso. Esse instinto existem graças a...
Genética
Essa parte é muito bem explicada no livro O Gene Egoísta, do Richard Dawkins. Os seres vivos tendem a passar os melhores genes para geração seguinte e/ou usar as melhores armas para manter a existência da sua espécie. Uma lebre, por exemplo, fisicamente perde feio para o lince em quase todos os requisitos. O único que a lebre leva vantagem é a reprodução, é por isso que elas se reproduzem tanto. Se a lebre se reproduzisse como o lince, provavelmente, a lebre se extinguiria. E se o lince se reproduzisse como a lebre faltaria comida, e isso acarretaria a sua extinção.
Essas pequenas coisas explicam bem o sentido da nossa vida. Já escutei fanáticos falarem (e escreverem) que o sentido da vida para eles é "servir a Deus". Isso é irracional por dois motivos: 1. Ser um servo não nos faz querer viver, não nos motiva a viver. 2. Um ser todo-poderoso não precisa ser servido.
Conclusão: A religião não nos faz viver plenamente e nem nos motiva a isso. Ela nos induz a obedecer dogmas fundamentadas e servir seres que não há evidências de sua existência e só nos faz pensar no pós-morte ou pós-Apocalipse. O que não é evidente também. Viver religiosamente não é viver plenamente.